Não há fábrica, nem turnos, nem produção em série — há uma casa, uma pequena oficina, e um ofício que passou de mãos em mãos ao longo do tempo.
O ofício do buinho chegou até nós da forma como sempre chegou a quem o faz no Alentejo: olhando para alguém a trabalhar, ano após ano, até as mãos aprenderem sozinhas. Não foi uma decisão de negócio — foi um hábito de família que, em determinada altura, decidimos transformar em casa.
Continuamos a colher o buinho nós próprios, nos mesmos sítios de sempre, e a trabalhá-lo com as mesmas ferramentas simples de sempre. A única coisa que mudou foi termos decidido mostrar este trabalho a quem, fora do Alentejo, talvez nunca tivesse ouvido falar de buinho.
É por isso que assinamos como Alen. & Pica — Alentejo, e Pica, o nosso apelido de família.
O mestre da casa, com décadas de ofício — domina o corte e montagem da madeira e o empalhamento do assento. Aprendeu tudo desde criança, quando começou a fazer os seus brinquedos, e é quem decide, olhando para cada tronco, que peça vai nascer dali.
Aprendeu o ofício mais recentemente, já ao lado do pai. Também é responsável pelo empalhamento, em paralelo com o pai — o processo, fio a fio, que transforma um molho de buinho seco num assento firme e flexível.
"Uma peça nossa não sai daqui enquanto não tiver a mão dos dois." Família Pica, Baleizão
Não produzimos mais do que o buinho de uma safra permite. Preferimos recusar encomendas a apressar o trabalho.
Cada peça é numerada e sabemos a que safra pertence, quem a montou e quem a empalhou — as mesmas duas pessoas, sempre.
O ofício só se mantém vivo se continuar a ser ensinado. É essa continuidade que protegemos acima de tudo.